30 de nov de 2010

Mais do que eu queria ver!

por Marco Nascimento


A poeira “levantada” pelo carro já anunciava, o asfalto ficara para trás e agora estávamos trafegando por uma pequena estrada de terra. A frente só se via um caminho de terra batida. Dos lados havia apenas árvores, pasto e algumas cabeças de gados. Atrás uma nuvem marrom, era a tal poeira que o carro levantava.

Quando chegamos ao nosso destino, a frente havia uma pequena porteira de madeira. Ali já pude ver a precariedade ou se preferir, a simplicidade do lugar.

Do lado esquerdo uma casa, onde ao invés de paredes de tijolos, havia madeiras e lonas. O telhado também era de lona. Do lado direito havia um grande pasto, com várias cabeças de gados. A minha frente uma árvore, um grande campo coberto de mato, entulhos amontoados e uma casa em construção. Esta sim, de tijolo.

Senti-me perdido.

Aquele lugar não era onde eu queria estar. Tudo era muito estranho pra mim. Me sentia um peixe fora d’água, ou melhor, um boi fora do pasto.

Eu sou da cidade. Eu quero a cidade. Quero carros indo e vindo. Quero barulho de buzinas. Quero pessoas passando e conversando. Mas enfim, já estava ali, não tinha como ir embora, então, vamos tentar curtir.

Comecei a olhar cada parte daquele lugar de forma mais serena, de outra forma. Deixando de lado o pré-conceito que eu já havia “colocado” em minha mente.

Depois de um depoimento emocionante daquele senhor que batalhou muito para ter aquele pedaço de terra, suas cabeças de gados e um lugar para chamar de seu, vi que aquela precariedade, ou simplicidade, na verdade era um sinônimo de luta, batalha, que no final seria de vitória.

Aquela casa de madeira e lona era mais do que uma humilde construção. Era um lar, um refúgio. Aquelas cabeças de gado eram mais do que simples animais, eram o sustento da família, o “emprego” daquelas pessoas e até um exemplo de vida. Sim, um exemplo. A forma com que “Mimosa” cuidava de sua cria era espetacular. Um exemplo a ser seguido por muito ser humano. Aquele amontoado de entulho tinha este significado só pra mim. Cada coisa ali tinha seu significado, sua importância. Um motivo para estar ali.

É, além daquela porteira não havia somente simplicidade, mas sim muitos ensinamentos. Bastava eu olhar além do que eu queria ver.

Hoje posso dizer que sim, sai melhor daquele lugar. E confesso, quero voltar lá.

Abraço!

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