16 de dez de 2010

Uma saudade que dói!

por Marco Nascimento


Em minha memória tua imagem ainda se faz presente. Talvez ela nunca vá sair dali. Talvez ela seja imortal em meu coração. Talvez você seja imortal pra mim. Talvez não, você é imortal em meus sentimentos.

Também, como esquecer aquele sorriso doce, e aquele abraço apertado?

Um sorriso que encantava a todos. Que trazia alegria a qualquer lugar que a senhora chegava. O abraço apertando quando chegava. O abraço de quando comemorava. O abraço de despedia. Ou o abraço sem motivo. Não dá pra esquecer de alguém que era movido a sorrisos e abraços. Que era sinônimo de alegria.

Como esquecer uma história de vida emocionante?

Lembro-me de seus olhos brilhando quando contava cada parte de sua história. De quando decidiu, de forma corajosa e amorosa, largar tudo o que havia conquistado em São Paulo, para vir morar em Bauru, atendendo assim o pedido de uma irmã, que estava adoentada e preocupada com o que seria de seus filhos.

Lembro-me da emoção de quando contava da carta que sua irmã deixara para ti, pedindo, implorando, que se casasse com o cunhado e com ele pudesse cuidar dos dez filhos que tão precocemente haviam ficado órfãos de mãe. E assim você fez. Casou-se com o cunhado, teve mais um filho, e de forma exemplar cuidou de onze crianças. Dando a eles um lar, educação e dignidade.

Lembro-me do orgulho com que contava sua história. De como admirava seus filhos, netos e bisnetos. De como gostava da família. Do quanto valorizava suas irmãs.

Lembro-me com alegria de quando a senhora chegava a qualquer festa sempre dizendo: “Oba! Sou a primeira a chegar, e serei a última a sair.”, caindo na gargalhada logo em seguida. Gargalhada que podíamos ver quando deixava de ficar ao lado dos mais velhos, optando por ficar entre os mais novos, justificando-se que preferia ficar ao lado de gente bonita e da mesma idade que a sua. E assim conseguia arrancar risadas de todos e “conquistar os garotões”.

Também não posso e não consigo me esquecer de como eram nossas festas de Ano Novo. Onde a senhora sempre se vestia de branco, mas dizia que a "calcinha tem que ser vermelha, pois é a cor da paixão". Sem falar na música que cantava a todo o momento e sempre dizia que se encaixava na parte dos solteiros:

♪ Adeus ano velho, feliz ano novo.
Que tudo se realize, no ano que vai nascer.
Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender.
Para os solteiros sorte no amor, nenhuma esperança perdida.
Para os casados nenhuma briga, paz e sossego na vida. ♪

Lembro-me sempre dos ensinamentos que passava e das histórias que contava. De como lidava com humor quando se falava de morte. Não dá pra esquecer quando falava que nunca poderia passar dos 80 (anos), pois se passasse, seus dois filhos policiais iriam te multar. E que quando morresse, não queria tristeza, queria que fosse feito festa em seu velório. Destas duas vontades, somente a primeira foi atendida. Vinte e três dias depois de chegar aos 80 anos, Deus resolveu que havia chegado a hora da senhora levar mais um pouco de alegria para o céu. E assim a senhora se foi...

A festa em seu velório não foi possível, pois não tem como não sentir a perda de um exemplo, de uma pessoa tão especial como a senhora. A tristeza se fez presente naquele momento difícil, mas toda a alegria que nos deixou durante o tempo que passamos juntos, é maior que qualquer dor, por isso só nos faz lembrar de todos os sorrisos que a senhora nos deu.

Agradeço e Deus por ter tido a oportunidade de ter te conhecido e ter passados momentos inesquecíveis ao teu lado. A senhora foi, é, e sempre será a minha querida e amada vó. A divertida e alegre vó Olga!

Saudades... ♥

2 comentários:

  1. que graça de texto!!!
    Eu tb tive um anjo assim na minha vida, mas infelizmente, aqui na Terra não é lugar para anjos...

    Mil bjs ♥

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  2. Que lindooo o texto !!!
    Quem nunca teve alguém assim né ??

    Parabéns !!
    =***

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