22 de fev de 2012

O caso Eloá

por Fabi Prado


Vivemos ai na semana que passou dias de tensão absoluta. Assim como na semana em que foram a julgamento os Nardoni, acusados pela morte da menina Isabela Nardoni, cruelmente degolada* e depois arremessada do sexto andar do prédio onde o seu “pai” morava, assim como na semana do julgamento de Suzane Von “Rich... sei lá o quê” e dos irmãos Cravinhos que mataram estupidamente os pais dela, assim como no julgamento de “Pernambuco” ou se preferirem Paulo César da Silva Marques, que foi partícipe de um crime aterrorizantemente bárbaro, o assassinato a sangue frio de Felipe Caffé e Liana Friedenbach, cujo mentor/autor do crime foi um menor de 16 anos de nome Roberto Aparecido Alves Cardoso, vulgo “Champinha”, ficamos grudados na TV, no rádio, na internet a espera dos depoimentos, do desfecho e finalmente da sentença final do jovem que matou a ex-namorada, a menina Eloá Pimentel.

Pois é. Crimes bárbaros acontecem no Brasil e no mundo a todo momento. O que os diferencia é a ênfase dada pela imprensa.

Não estou aqui criticando a liberdade de expressão, tão pouco tentando justificar o injustificável, a verdade é que a imprensa faz e desfaz e em alguns casos, o poder de comoção popular que a imprensa detém é tão forte que chega a ser manipulador ao extremo. Nos crimes acima citados a imprensa foi determinante nas condenações, não resta a nenhum de nós dúvida quanto a isso. Só nos resta é questionar até que ponto isso é saudável?

A justiça de um país tem que funcionar com ou sem a ajuda da imprensa. No Brasil parece que quando a imprensa intervém a justiça funciona melhor. Só que o que deveria ser exceção, infelizmente tem tornado-se regra.

Como regra, quem dera então que TODOS os crimes bárbaros que acontecessem fossem noticiados de forma sensacionalista e incessante pela imprensa! Muito mais crimes seriam solucionados, muito mais pessoas estariam em paz com a condenação daquele que tirou a vida de quem se amava, muito mais seguros estaríamos nós, certos de que os criminosos não teriam medo da polícia e tão pouco da justiça... eles teriam medo da imprensa.

Não estou aqui pra julgar os méritos da polícia ou da justiça, mas temos que admitir que a imprensa tem sido determinante em alguns crimes e essa é a nossa realidade.

Muitos criticam a TV hoje em dia por dizerem que as programações estão cada vez mais ruins e eu não discordo desse ponto de vista. No entanto poucos se conscientizam que o papel da imprensa em um país onde a justiça e a polícia já não funcionam tão bem como deveriam tem sido de fundamental importância para ainda manter nas pessoas de bem alguma esperança de segurança e nos criminosos algum medo, ainda que mínimo, de cometer este ou aquele delito.

Voltando ao caso Eloá, há os que dizem que o “Linde... sei lá o quê” só a matou porque a imprensa noticiou e ele ficou com receio de sair como o “fracote” diante da opinião pública e por isso resolveu matar pra mostrar “que ele era o bonzão”; há os que dizem que ele já entrou lá pra matá-la e que nada mudaria isso; há os que dizem que os procedimento mal-sucedidos da Polícia Civil de São Paulo ajudaram a culminar nesse desfecho; há os que dizem que ele era apenas um namorado traído e triste em busca de uma reconciliação que acabou dando errado... Eu sinceramente não acredito em nenhuma dessas hipóteses.

Provavelmente quando vocês estiverem lendo esse texto, todos já saberemos se ele foi ou não condenado e quantos anos de pena ele pegou pelos crimes praticados e seja o quanto for, eu acho que será pouco pelo que ele fez, e pela fraqueza da nossa justiça, a pena total dele só não será MENOR porque a imprensa está amplamente empenhada em condená-lo.

Aliás, a imprensa já o condenou há muito tempo.

Amigos, findo-me por aqui. Aquele abraço e até a semana que vem, se Deus quiser.

*Ato comprovado pela perícia forense.

Ih, Falei!

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