14 de dez de 2011

A involução da espécie humana

por Fabi Prado


Na segunda-feira passada fui com meu noivo a um bar da cidade. Tomamos uma cervejinha, comemos, nos divertimos. Certa altura da noite chegou próximo a mesa uma cadelinha bege, toda sarnenta, aparentemente cega de um olho, já aparentando ser idosa.

Doce e faminta, como todo cão de rua, aproximou-se da minha mesa e de quase todas as mesas do bar e claro, restos e mais restos de porções eram arremessados e ela, com toda a esperteza que é natural em um cão, mais do que na hora, abocanhava com uma agilidade invejável.

Comeu tanto que chegou um momento que nem agüentava mais comer. Aparentando saciedade, deitou-se num cantinho fresco da calçada e começou a dar um belo de um cochilo, típico de quem está “satisfeito”.

Olhando aquela cena, pensei cá com meus botões: Será que, se ao invés de uma cadela, fosse uma pessoa, o tratamento carinhoso e dócil das pessoas que ali estavam também teria sido esse?

E no mesmo instante me respondi: Certamente que não.

O ser humano está com aversão de sua própria espécie. E é bem simples entender o porquê disso. O ser humano é cada dia mais mesquinho, mais sujo, mais egoísta, mais maldoso, mais interesseiro e manipulador. O ser humano tem a incrível capacidade de se superar tanto para o lado bom, quanto para o lado ruim, é claro. É um crime novo a cada dia, é um novo golpe, um novo ataque, uma nova maneira de tentar lesar de alguma forma o outro ser humano.

Hoje um homem mata o outro por conta de uma discussão boba e sem fundamento; a esposa rouba o marido; o namorado mata a namorada porque foi trocado por outro; o sobrinho dá um golpe financeiro na tia que o criou; a filha mata o pai para ficar com o dinheiro do seguro; o pai estupra a filha; um vizinho planeja o assalto e morte de outro vizinho...

O ser humano, a vida humana em si não tem mais valor e com essa desvalorização, outras espécies passaram a se valorizar como a vida animal por exemplo. Nunca antes se viu tantas pessoas na defesa, cada vez mais ferrenha, dos animais. Somos advogados dedicados na defesa do pobre e indefeso “amigo bicho” e quantas vezes pouco ligamos para aquele conhecido nosso que passa necessidade, até porque não sabemos quem é nosso conhecido! Podemos recebê-lo hoje em nossa casa prá ajudá-lo e amanhã ele poderá se tornar a pessoa que irá nos roubar, que irá nos estuprar ou que irá nos matar!

Por isso o ser humano ama ao próprio cada vez menos e aos animais cada vez mais. Os animais estão cada vez mais bem tratados, respeitados, idolatrados. Confia-se hoje muito mais facilmente num animal que num ser humano. Estamos transferindo para os animais o nosso amor, a nossa fraternidade, o nosso respeito, o nosso carinho, a nossa segurança, porque esses sim ultimamente têm merecido tudo isso.

E eu particularmente prefiro mil vezes aquela humilde e doce cadelinha que estava lá no bar do que muito ser humano por ai. Eu assumo essa postura polêmica. Sou obrigada a confessar que tem gente que me dá nojo só de pensar. Tem pessoas que não deveriam nem ter nascido e olha que não são poucas...

E tudo o que foi destruído no mundo até hoje, o foi por mãos humanas e não será diferente com a própria espécie humana. Nós mesmos nos destruiremos algum dia.

E temo que esse dia esteja próximo. Ou quem sabe até lá já tenhamos aprendido alguma coisa que preste com a espécie animal!

Amigos, findo-me por aqui. Aquele abraço e até a semana que vem, se Deus quiser.

Ih, Falei!

Um comentário:

  1. amiga...
    embora seja polêmico, concordo com cada linha da sua descrição! Em genero, número e grau!

    Precisamos marcar algo para eu entregar seu presente de aniver!
    Mil bjs ♥

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