18 de abr de 2012

Choques religiosos

por Fabi Prado


Definitivamente eu não consigo entender certas religiões. Aliás, não consigo entender certos “fiéis”.

Não me refiro os católicos, nem a evangélicos, nem a umbandistas, nem a maçons, nem a seguidores de seitas diversas. Refiro-me a todos os religiosos ou praticantes de seitas em geral.

Como é possível alguém criticar a religião do outro?

Infelizmente tenho em minha família alguns primos que são da religião Y e freqüentam a igreja X e que vivem criticando as outras demais religiões. Pra mim é difícil de engolir essa postura. Até saio de perto quando o assunto entra na pauta.

Acho que religião ou crença, ou seja, lá o que for que se segue não deve ser questionado. Cada um tem a sua opinião, as suas verdades, as suas crenças, o seu porto seguro e isso não deve ser posto em cheque.

Diferente do cara que amarra três quilos do mais poderoso explosivo no corpo e explode-se dentro de um restaurante lotado dizendo que “o faz em nome de Alá” e mata com isso dezenas de pessoas. Isso é de fato repugnante. Já que é em nome de Alá, que se mate sozinho, não leve várias almas inocentes junto. Isso é de repudiar-se.

Agora, fora isso se o cara acredita em Preto Velho ou se ele acredita em bruxas ou se ele crê que Jesus virá para arrebatar apenas os que seguirem a Sua lei ou se ele acredita em Pai, Filho e Espírito Santo ou se ele freqüenta uma igreja que esfola o fiel de tanto pedir “dizimo” ou se ele não acredita em nada, qual é o problema nisso? Cabe a cada um decidir no que acreditar.

Questionar ou pior ainda CRITICAR a religião alheia é repulsivo, em pleno século XXI é inadmissível tal postura, é de dar nojo. Acho que o princípio básico de qualquer relação é o respeito e sem ele, nada sobrevive com sucesso por muito tempo.

Se alguma religião ou crença prega que os seus fiéis devem deixar respeitar a crença do outro é o primeiro sintoma de que, aquela religião ou crença que aquela pessoa segue está parada no tempo porque se tal religião ou crença critica outra é porque não sabe o que é o respeito e se não sabe o que significa essa palavra tão importante, definitivamente não pode ser saudável.

Se eu sou corintiana e o meu vizinho é palmeirense; se o meu pai é espírita e meu irmão é católico; se a minha tia é Petista e o meu primo é Tucano; se meu sogro é heterossexual e minha amiga é homossexual... Simplesmente são escolhas que não cabem questionamentos, não cabem críticas, não cabem julgamentos. Cada um sabe o que é melhor pra si, cada um sabe aquilo que se identifica, aquilo que mais lhe atrai e se, em algum momento, o fulano optar pela escolha errada, pagará posteriormente por isso e pagará geralmente sozinho. Então, se o outro pagará por suas escolhas, porque a gente questiona tanto? Não nos diz respeito, simples assim.

Se o cara cultua o “capeta”, o problema é dele. Se ele crê nisso, o que eu tenho a ver com isso? Eu creio em Deus oras e tem gente que me acha errada. Um ateu, por exemplo, acha que todos que crêem em Deus perdem o seu tempo porque pra ele Deus não existe. Geralmente ateus são *darwinistas. Sim, que pensem assim, que pensem que Deus não existe, mas que guardem para si e que respeite aqueles que crêem. O incomodo começa a partir do momento que existe a condenação e o questionamento do “porquê” o outro optar por tal escolha. E geralmente quem faz isso, faz achando-se o “bonzão”... Pra mim não passa de um pobre coitado que é de uma pobreza espiritual assustadora.

Não podemos condenar alguém porque crê nisso ou naquilo, porque gosta disso e não daquilo. Agora, de fato, o choque religioso é o que mais me incomoda. Não gosto quando as pessoas questionam o time de futebol que eu torço, não gosto quando questionam o meu gosto musical, não gosto quando julgam-me por eu ter duas tatuagens no corpo, não gosto quando questionam o meu gosto pelo lado esquerdista na política, mas nada me irrita mais do que questionarem as minhas crenças religiosas.

E sabe por que me irrita tanto? Porque eu não questiono a escolha de ninguém, eu não critico a escolha de ninguém e eu não abomino a crença de ninguém. Se o fulano é feliz assim, que seja. Quem sou eu pra questionar?

Se Jesus ainda vai vir, se Jesus já veio, morreu, ressuscitou e está entre nós, se Jesus não existe, cada um que acredite naquilo que quer, naquilo que lhe é mais conveniente, naquilo que lhe parece mais verdadeiro. Pra que exaltar a sua crença e marginalizar a crença do outro? Ninguém é mais que ninguém. Todos somos feitos do mesmo material perecível.

Ter as suas escolhas como verdades absolutas e “meter o pau” nas escolhas alheias é muito egocentrismo e se Deus realmente existe, Ele deve assistir a tudo isso sentindo pena da raça humana porque ver o homem se engalfinhar por algo tão pequeno, é digno de mais elevada pena.

Voltando a citar esses meus primos que são de uma determinada igreja, eles falam que “o nosso Deus é maior e mais poderoso, o Deus dos fulanos (outra religião) é fraco, não tem a força que o nosso Deus tem”. Piada né?

Quem somos nós pra julgar o que é bom pros outros? Nem por nós mesmos muitas vezes fazemos o que é melhor...

Amigos, findo-me por aqui. Aquele abraço e até a semana que vem, se Deus quiser.


*Darwinista – Indivíduo que acredita na teoria evolutiva, teoria esta que põe em questionamento a existência de Deus, propondo que o homem provém da evolução das espécies, não tendo assim sido criado por Deus. A teoria Charles Darwin propõe, em resumo, que, na luta pela sobrevivência, os indivíduos portadores de variações (características) adaptativas às condições ambientais levam vantagem competitiva sobre os indivíduos que não as possuem. Os adaptados deixam mais descendentes, e os não adaptados são eliminados.

Ih, Falei!

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