21 de mar de 2012

Mãe: segurança sem fim

por Fabi Prado


Uma noite dessas eu estava em minha cama deitada quando ouvi um barulho numa sacola plástica que guarda alguns pertences meus. Essa sacola fica em cima do guarda-roupa. Barulho de “passos” de algum inseto, provavelmente de uma barata, com o calor que tem feito, as tais estão alvoroçadas e vira e mexem dão o ar da graça. Não há limpeza nem asseio que impeça o aparecimento delas.

Acendi a luz, mas eu não a via. O saco preto, ela certamente camuflava-se nele.

A verdade é que depois disso não consegui mais nem ficar em meu quarto. Não tenho medo de barata na maioria das vezes. Quando ela está ao alcance, possível de ser morta principalmente. Tiro de letra a presença da asquerosa e corro atrás, piso, dou vassourada, jogo inseticida, chego pertinho pra matar, tranquilamente. Quando não estou vendo a tal ai o medo aflora, parece incrível.

Imediatamente fui buscar abrigo no quarto da minha mãe. Meu pai estava gripado e momentaneamente estava dormindo em outro quarto, aproveitei a deixa e corri pra cama da minha mãe dormir com ela.

Abri a porta bem de mansinho, chamei por ela e perguntei se podia aconchegar-me ali com ela, explicando a minha terrível situação. Ela na hora disse que sim, que ela me deixava dormir ali, afinal qual a mãe diria não a um pedido desesperado de uma filha fugindo de um monstro? (Monstro = Barata)

Só sei que deitei em sua cama, ao seu lado e a sensação foi uma das melhores que já senti na vida. Senti como se o mundo estivesse resumido àquela cama. Toda a proteção, cuidado e atenção que eu precisava estava ali, ao meu lado, deitada na cama comigo. Aliás, senti que o mundo poderia acabar... Naquele momento eu estava com a melhor proteção do planeta.

O pensamento na barata desapareceu. A partir dali a barata nada mais significava porque eu sabia que quem estava ali comigo enfrentaria o que fosse preciso pra me proteger.

Por um instante meus olhos encheram-se de lágrimas, algumas até insistiram em rolar pelo meu rosto. Que sensação única, inexplicável, maravilhosa!

Naquele momento, eu com 32 anos de idade, dei um valor tão imenso a minha mãe, tão imenso que chega a ser inimaginável. O valor que eu dava ao amor, ao afeto e ao carinho dela já era grande, mas depois daquela noite tornou-se imenso, impossível de ser mensurado. Acho que jamais eu tinha imaginado que minha mãe era tão forte, tão importante e que tinha tanta capacidade de me passar tanta segurança.

Assim que as lágrimas secaram fiz uma oração e agradeci a Papai do Céu por tê-la ao meu lado, pedi que Ele desse a ela saúde pra eu tê-la por mais muitos anos e adormeci certa de que eu estava literalmente protegida de todas as baratas do mundo inteiro.

Amigos, findo-me por aqui. Aquele abraço e até a semana que vem, se Deus quiser.

Ih, Falei!

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